domingo, 5 de abril de 2009

Cracóvia - última parte!

Bom, em primeiro lugar, peço desculpas pela demora em terminar de contar todas as peripécias da minha viagem à Cracóvia. Lá vai...

Quando voltamos de Auschwitz, na sexta-feira, já eram quase 15 horas. Tínhamos que estar nas minas de sal de Wieliczka antes das 17 horas, pois a última visita guiada em inglês aconteceria nesse horário. De acordo com a recepcionista do nosso hostel, deveríamos pegar o ônibus 304 na quadra de trás do hostel, e ir até o fim da linha. Chegando lá, veríamos as minas na nossa frente. Pura ilusão. Wieliczka é uma cidade que fica no subúrbio de Cracóvia, a uns 40 minutos do centro da cidade. Descemos na última parada e, para nossa surpresa, não tinha nenhuma mina lá. Era um subúrbio mesmo, cheio de mercadinhos, mas nada de minas. Ainda bem que o lugar era bem organizando em termos de placas sinalizadoras, vimos uma placa indicando a direção das minas e a distância delas... 1,5 km de onde estávamos! Sendo que já eram 16h40... Enfim, corremos para chegar lá e, por fim, conseguimos entrar nas minas a tempo...

Sobre o passeio pelas minas em si, a única coisa que pode descrevê-lo é: sensacional. Um dos passeios mais diferentes que já fiz. Nada como passeios por museus, igrejas e tudo o mais. Totalmente diferente e simplesmente fantástico. As minas de sal de Wieliczka existem há mais de 700 anos. Hoje em dia a extração de sal não ocorre mais, porque praticamente todo o sal dali já foi extraído. Mas, mesmo assim, ao andar pelos corredor do lugar, ainda dá para ver o sal literalmente brotando das paredes. A visita começa com uma descida de muitos degraus (no dia em que desci eu lembrava quantos eram, mas agora esqueci...) até chegarmos a 110 metros abaixo do solo. A descida te deixa meio zonzo depois de um tempo e, chegando lá embaixo, a guia avisou de cara que, se alguém achasse que poderia se sentir mal ali, que subisse para a superfície antes de começar a visita. Ninguém subiu. As minas são muito bem arejadas (não sei bem qual é o esquema utilizado por eles para fazer com que o ar corra lá embaixo, mas é muito bem organizado, porque dá para respirar muito bem lá), então não tem como passar mal.

O passeio dura mais ou menos duas horas. Tu passas por várias capelas (religiosidade polonesa sempre demonstrada), onde há santos esculpidos em pedra e em sal. Algumas esculturas foram feitas por escultores profissionais, outras por trabalhadores das minas mesmo. Há esculturas de anões também, muito bonitinhas. Me lembrei das minas de Moria do Senhor dos Anéis (ainda com acento?). Também há lagos lá embaixo, com porcentagem salinas altíssimas, se aproximando do Mar Morto, segundo o que nossa guia nos disse (20% de sal, se não me engano!).

O mais impressionantes das minas é um igreja principal que, se não me engano, fica também a uns 110 metros de profundidade. É simplesmente magnífica. Um altar todo bonitão, lustres feitos de pedras de sal, cenas bíblicas esculpidas na pedra, estátuas de pedra de santos e, é claro, do papa João Paulo II. Além disso, a igreja é decorada com um super lustre todo feito de pedras de sal. Todos os domingos há missas ali. E, segundo a guia, há casamentos com frequência nessa igreja. Além disso, há uma restaurante e um centro de conferências (onde, acredito, há também recitais de música eventualmente). Enfim, o passeio pelas minas é absolutamente sensacional. Pagamos 49 zlotys pela entrada, mas acho que eles poderiam cobrar bem mais, porque o passeio vale o preço do ingresso.

Nossa volta para casa após o passeio foi um tanto complicada... Na verdade, foi o momento mais complicado que tivemos na Polônia. A guia das minas nos disse que o ideal seria pegarmos um mini-ônibus na esquina do lugar onde ficam as minas. Fomos até lá, um frio de rachar, e a cada minuto passavam mini-ônibus, mas absolutamente NENHUM deles aceitava nos pegar. Todos diziam que não iam para o centro de Cracóvia e que era para esperamos "o próximo". Ficamos um tempão esperando. Daí falamos com uns policiais que nos disseram para pegar o ônibus numa outra parada, perto de onde estávamos, mas no sentido oposto da rua. Fomos até o lugar e não havia simplesmente nenhum ônibus passando. No final das contas, desistimos, subimos uma lomba até a rua principalzinha da cidade de Wieliczka (me pareceu ser a principal, pelo menos!) e pegamos um ônibus regular até a cidade... Chegando lá, apertamos para descer numa parada perto do nosso hostel, mas o ônibus só parou na parada seguinte, muuuuito longe de onde queríamos descer. Tivemos de pegar um tram para voltar. Foi um saco, mas chegamos sãs e salvas. No hostel, quando voltamos, estava tendo uma festinha com comidinhas típicas polonesas. Muito bom.

Por fim, na manhã de sábado acordamos cedo para ir conhecer o complexo Wawel, a "jóia da Polônia", segundo meu modesto guia de viagens. É um complexo onde há castelo, igreja e um monte de pessoas importantes enterradas, como poetas importantes, antigos reis e tudo o mais. Tudo isso na beira do rio Vistula, com uma vista espetacular da cidade. Btw, o Vistula também passa por Varsóvia. Na beira do castelo (e na beira do rio também), há uma estátua de um dragão, o suposto dragão de Cracóvia, que, não sei bem em que circunstância, acabou explodindo depois de ter caído no Vistula. Lendas polonesas. Enfim, o complexo Wawel é um dos lugares de maior orgulho para os poloneses, e com muita razão, o lugar é absolutamente lindo. Fiquei triste por não ter tido a oportunidade de passear bastante por lá. Nosso tempo era curto demais, então não pudemos fazer uma visita guiada.

Algumas fotos das partes internas do Wawel:




Para voltar para casa, fomos ao aeroporto de Katowice, cidade que fica a mais ou menos 1h30 de distância de Cracóvia.

Conclusões sobre a Polônia: é uma país simplesmente fantástico, com muita história e muita coisa interessante para ver. E o melhor de tudo: por preços muito acessíveis, já que a Polônia não utiliza o euro ainda. O que mais me impressionou foi ver o quanto o país tem potencial para crescer. Varsóvia, por exemplo, era um canteiro de obras gigantesco. É uma demonstração de que o leste europeu está, aos poucos, realmente adentrando o esquema capitalista ocidental e, com isso, crescendo economicamente a cada dia mais. Minha dica é: visitem a Polônia. O país é fascinante e uma viagem até lá te acrescenta muito conhecimento. Foi isso que eu senti, pelo menos.

Abraços a todos!

terça-feira, 31 de março de 2009

Cracóvia e Auschwitz

Bom, continuemos falando sobre a viagem à Polônia!

Depois de passar a noite de tercç, a quarta inteira e a manhã de quinta em Varsóvia, pegamos um trem e fomos à Cracóvia. Três horas de viagem num trem meio lento, mas confortável, com comidinha e pelo modesto preço de uns 20 euros (já esqueci o preço em zlotys).

Chegamos lá aí por 16 horas (já que o trem atrasou meia hora em Varsóvia) e fomos direto para o hostel. Perdermos a estação em que tínhamos que descer do tram, mas chegamos, enfim, sãs e salvas. O hostel era bem legalzinho, pequeninho, mas bem organizado e com um staff muito gentil e prestativo. Ficamos hoooooras perguntando mil dúvidas, pedindo indicações de lugares e tudo o mais, e as meninas da recepção conseguiram basicamente tudo para nós.

O quarto era só para nós desta vez, o que foi ótimo, o banheiro era grande e o café da manhã (que foi servido numa mesa especialmente para nós) era de graça. E era perto de tudo: do complexo Wawel (sobre o qual falarei mais depois), do antigo bairro judeu da cidade (Kazimierz) e do centrinho histórico. O melhor: a diária custou mais ou menos seis euros. Eu amo a Polônia.

Na quarta de noite, fomos conhecer o centrinho de Cracóvia. Foi rapidão, o que foi um pena, porque a praçaa central da cidade é fantástica. Para os desinformados (onde me incluo, porque só fiquei sabendo de todas as coisas que vou escrever agora quando fui à Cracóvia), a cidade foi capital da Polônia por um tempão, se não me engano até o século 16. Além disso, a cidade é um grande centro de cultura, arte e tudo o mais. Uma cidade absolutamente incrível. Pena que não consegui aproveitá-la tão bem quanto gostaria, porque meu tempo lá foi curto demais.

Conhecemos a praça principal da cidade, que é fantástica. Quando chegamos lá, já era noite, então foi emocionante, tudo iluminado, realmente lindo. Visitamos uma igreja que fica na praça que é absolutamente maravilhosa. Se não me engano, é algo espécie de basílica de Maria. Quando entramos lá, estava tendo uma missa, então não pude tirar nenhuma foto de dentro do lugar. Mas era lindo. Segue uma foto da praça para vocês terem uma ideia de como é lá:



Tem uma história interessante sobre a praça principal de Cracóvia. Parece que (não tive a oportunidade ver) a cada hora há um cara que anuncia o horário do dia tocando uma trombeta nos quatro cantos de alguma construção da praça (que pode ser tanto a catedral quanto um negócio que eles chamam Cloth Hall, que é tipo um mercadinho de souvenirs e artesanato que fica bem no meio da praça). Parece que esta é uma tradição de Cracóvia e que, há muito tempo atrás, esse carinha tinha a função de verificar se a cidade estava segura de invasores. Conta a história que, lá pelo século 10, o tal cara que tocava a trombeta foi morto por um dardo exatamente na hora em que avisava a cidade que um ataque iria acontecer. E daí Cracóvia foi invadida. Só não sei por qual povo - nada como pegar as histórias pela metade, né!

Enfim, o centrinho de Cracóvia é absolutamente lindo, todo cercado por uma muralha. A cidade é muito antiga, século 7 se não estou enganada. Demais por andar por lá.

Na sexta-feira de manha fomos a Auschwitz, o famoso campo de concentração da Segunda Guerra mundial, num passeio organizado por uma agência parceira de nosso hostel. Uma van veio nos buscar e fomos passando por vários hotéis da cidade para pegar turistas que também estavam indo para lá. Demora mais ou menos uma hora e meia para chegar.

Chegando lá, uma multidaaaaao. Estudantes, turistas, enfim, muita gente. Fizemos uma visita guiada que foi muito boa, se não tivéssemos feito, não teríamos entendido nada decentemente. Ao chegar lá, eles te dão um fone de ouvido e tudo o que o guia vai falando tu podes ouvir pelo fone. Nada de pescoços esticados como nos museus brasileiros. Mas tudo bem, é compreensível, Auschwitz é o museu mais visitado da Polônia, então eles precisam mesmo estar preparados para receber bem os visitantes.

Mas enfim... Falando sobre o museu em si, não sei qual outro adjetivo utilizar além de impressionante. Em primeiro lugar, tu entras pelo portão de entrada do campo, onde está escrito, em tom de pura ironia, "o trabalho liberta" (do alemão, "arbeit macht frei"). Chega a dar nojo ler aquilo. Tu passas por salas em há fotos das pessoas chegando nos campos, vindas de um monte de lugares, Hungria, Checoslováquia, entre outros muitos países. Depois, tu vais para uma salas em que há um monte de antigos pertences das pessoas que foram mortas. Tem uma sala em que há duas toneladas de cabelo humano que foi retirado das vítimas. Na mesma sala, dá para ver o tecido que era feito com tal cabelo. Em outras salas, pilhas de penicos, panelas e utensílios pertencentes às vítimas, pentes, escovas, malas (muitas delas com os nomes das pessoas)... Por fim, muuuuitos sapatos, sendo que há uma sessão só para sapatos de crianças. Também tem uma sessão só com roupinhas de crianças. Não aguentei ficar muito tempo lá.

Depois disso, tu vais para uma salas em que eles mostram as fotos que as pessoas que chegavam no campo tiravam. É horrível o olhar de todas elas. Dá para ver no rosto delas que elas já tinham uma ideia do que ia lhes acontecer. E, juntamente das fotos, tem a data de chegada no campo e a data da morte da pessoa. Muitas morreram no mesmo dia em que chegaram. Outra morreram uns meses depois. Há fotos também de crianças que foram utilizadas para experimentos científicos pelos nazistas - eles faziam experiência com gêmeos, crianças com deformações físicas e problemas mentais, etc. Não dá para aguentar ver aquilo. E é incrível ver o olhar das pessoas que fazem a visita contigo, é todo mundo com aqueles olhares meio incrédulos e apavorados ao mesmo tempo... Simplesmente horrível!

Mas o que eu achei pior, pelo menos em Auschwitz I, foi a parte das salas de tortura. Fiquei impressionada com uma sala em que as pessoas ficavam trancadas num espaço mínimo (acho que era menos de 1x1), totalmente escuro e sem janelas. Segundo o guia, às vezes quatro pessoas ficavam trancadas ali. Fiquei chocada. Entre os prédios, tu visitas os lugares onde as pessoas eram fuziladas e os postes onde eram torturadas. Um horror.

Não sei bem quantas câmaras de gás existiram em Auschwitz, mas sei que só restou uma. Os nazistas destruíram tudo quando se deram conta de que a guerra estava acabando e os russos estavam chegando. Só sobrou uma. Fomos visitar. Dentro da câmara, dá para ver o forno onde os corpos das pessoas eram incinerados. Os fornos foram todos destruídos pelos nazistas, mas um deles foi reconstruído, para que as pessoas pudessem ver como era. Horrível.

Depois disso, fomos a Auschwitz II (também chamado Birkenau). Foi ali que a maior parte da matança aconteceu. Ainda hoje dá para ver o portão por onde entra uma estrada de ferro. O trem parava ali dentro e, ao sair do trem, as pessoas eram dispostas em uma fila (isso se as pessoas tivessem conseguido sobreviver à viagem de trem, né!). Na fila, era feita uma seleção. Alguns iam para a câmara de gás assim que chegavam. Outros iam para o trabalho, mas poucos sobreviviam. Birkenau foi quase que totalmente destruído, pelo alemães, pelos nazistas e também por algumas pessoas presas no campo, em um momento de resistência que ocorreu um pouco antes dos russos libertarem Auschwitz. Algumas das casinhas onde as pessoas viviam foram reconstruídas, para mostrar para as pessoas como era. Os dormitórios eram feitos de madeira, mas havia buracos entre o chão e as paredes, e também entre o teto e as paredes, de forma que a temperatura chegava a dez graus negativos lá dentro, durante o inverno. Trezentas pessoas dormiam em cada pavilhão.

Outra coisa que me impressionou foram as fotos das pessoas com o número do campo marcado na pele.  Os nazistas, depois de um tempo, pararam de marcar as pessoas com números. E também pararam de tirar fotos no momento em que as pessoas chegavam. É que chegou um momento na guerra em que tanta gente estava chegando ao campo que eles não conseguiram mais controlar o fluxo de pessoas.

Enfim, conclusões de tudo isso: não sei como existem pessoas que têm a petulância de negar o holocausto. A visita a Auschwitz é uma evidência de tudo o que aconteceu. E não consigo entender como todos esses crimes puderam ser perdoados. Na verdade, não entendo bem como tudo aquilo pode ter sido feito. É um absurdo ver o nível de crueldade e de falta de senso de humanidade ao qual as pessoas podem chegar. Mas acredito que a visita a Auschwitz é algo que todos devem fazer, se um dia tiverem a oportunidade, para, pelo menos, possam ter uma consciência maior do que aconteceu. No Brasil, as pessoas não têm muita noção do que foi a Segunda Guerra, principalmente pelo fato de o Brasil não ter sido tão diretamente atingido por ela. Mas aqui na Europa o negócio é diferente. A guerra é mencionada toda hora. Então acho que a visita a Auschwitz é válida neste sentido. Não é a coisa mais bonita que alguém vai ver neste mundo, mas te dá uma compreensão maior das coisas. E te faz questionar também. Como um ser humano pode fazer coisas tao horríveis aos seus semelhantes?

A questão permanece...

Amanhã continuo!

Abraços!

domingo, 29 de março de 2009

Varsóvia

Vamos lá! Lá vou eu tentar fazer um relato completo de tudo o que vi e pensei durante a viagem de quatro dias pela Polônia! É muito coisa, então preparem-se, hihi!

Em primeiro lugar, nossa chegada em Varsóvia foi um tanto quanto assustadora. O aviao da Wizzair - companhia aérea húngara low budget que voa para um monte de cidades no leste europeu - que saiu de Malmö estava absolutamente lotado e, além disso, muuuuito quente, então simplesmente não aguentávamos mais ficar lá. Quando achávamos que íamos descer e, finalmente, poder sair do aperto daquele avião, o piloto nos avisou que teríamos que ficar mais uns vinte minutos voando, porque estava tendo uma tempestade de neve e daí a pista do aeroporto não estava em condições para descermos... Foi um saco e deu medo, mas tudo bem, chegamos vivas.

O aeroporto de Varsóvia é bem organizadinho e limpinho, apesar de que acho que não vi nem um terço dele. Assim que saímos de lá pegamos um táxi. Meio loucura pegar táxi lá, as pessoas fizeram uma fila mas ninguém respeitava nada, todos ficavam se jogando em cima dos primeiros táxis que apareciam... Um tanto estranho, mas tudo bem, as meninas e eu entramos no clima e nos jogamos também. O taxista não parecia entender inglês, mas reconheceu o nome do nosso hostel e nos levou até lá bem rapidinho.

O hostel era o Oki Doki, um dos mais famosinhos de Varsóvia, pelo que fiquei sabendo. Ele ficava muito bem localizado, perto do Palácio da Cultura e da Ciência, edifício mais alto da Polônia (uns 230 e poucos metros de altura), presentinho do Stalin da época comunista. Segue uma fotinha para dar uma ideia melhor da grandiosidade deste prédio:


Em nossa primeira noite, dormimos só eu e as meninas no quarto. Na segunda noite, um menino dormiu conosco. Ficamos morrendo de medo de que fosse um psicopata, mas no final era um guri tri queridinho. O hostel era bem confortável (apesar de os quartos serem meio antigos e tal) e super badalado, na nossa segunda noite o lugar estava completamente lotado.

Mas falemos de Varsóvia, então. Na quarta-feira de manhã, após nossa primeira noite na cidade, a neve tinha diminuído, então fomos caminhar pela cidade. Fomos andando até a parte antiga da cidade. É muito interessante pensar que a maior parte das coisas dali foi destruída durante a Segunda Guerra, e que, depois, tudo foi reconstruído de forma muito fiel ao que era antes. Achei isso fantástico, apesar de todo o aspecto trágico por trás da história. Nesta parte mais antiga da cidade, há uma igreja em cada esquina. Não minto, é isso mesmo. A Polônia é um dos países mais católicos da Europa. 

A praça onde está o Castelo Real de Varsóvia é absolutamente linda. A vista da cidade que se tem de lá é muito boa. E daí fomos caminhando por uma ruelas até chegar numa outra praça, onde há uma sereia (sim, outra!), que é símbolo e protetora da cidade. Na verdade, pelo que li, ela é uma espécie de irmã da sereia de Copenhagen, de acordo com o mito e tal... Olhem uma fotinha dela aí!


Mas enfim, caminhar por essa parte de Varsóvia é sensacional, porque tu começas a pensar em toda a história da cidade, em tudo o que já se passou naquelas ruas, em todos os conflitos da época do Levante e tudo o mais... Para quem gosta de história, é um prato cheio.

Enquanto caminhávamos pelo centro de Varsóvia e falávamos em português entre nós, um guri se aproximou perguntando, em português, se éramos brasileiras. No final, ele nos disse que se chamava Lucas e que estava morando em Varsóvia para aprender polonês. Ele deu várias voltas conosco e nos mostrou vários lugares. Fomos num restaurante típico onde comemos o prato mais tradicional (creio eu) da cozinha polonesa, pierogi é o nome. Parece um ravioli. O recheio mais típico é o de queijo com batatas, que nós comemos e adoramos. Comemos também o pierogi com recheio de espinafre e de carne, muito bons também.

Depois fomos caminhar na parte mais nova da cidade... É muito interessante, Varsóvia é muito uma cidade de contrastes, há coisas muito antigas junto de coisas muito novas. Acho isso absolutamente sensacional. Perto do Palácio da Cultura e da Ciência, a cidade é muito no estilo metrópole da América do Norte, com vários edifícios gigantescos, hotéis de luxo e tudo o mais. Fomos caminhando a pé até o Museu do Levante de Varsóvia. Enquanto caminhávamos, o clima mudou milhares de vezes... Choveu, fez sol e, além disso, nevou ao mesmo tempo em que tinha sol. Demais! O tal museu é muito interessante, fala sobre tudo o que aconteceu no Levante. Pena que não pegamos uma visita guiada, acho que teríamos entendido muito mais se tivéssemos feito isso. O museu em si é todo interativo e moderno, então achei super legal. Sobre essa história do Levante, fiquei realmente impressionada, Varsóvia passou um tempão lutando sozinha contra os alemães, sem a ajuda de praticamente nenhum exército estrangeiro. E daí, quando a guerra acabou e finalmente a cidade poderia ter um pouco de paz, chegaram os soviéticos. Acho que foi isso o que mais me impressionou sobre Varsóvia, toda a história de luta durante a Segunda Guerra, e depois o comunismo... Fiquei com a impressão de que tudo isso deixou marcas muito fortes na cidade, que resistem até hoje. De qualquer maneira, para o turista que, assim como eu, amo história, isso não chega a ser ruim, mas sim um prato cheio para aprender e saber mais sobre a incrível nação que é a Polônia. 

Ao voltar do tal museu, subimos no Palácio da Cultura e da Ciência. A vista de lá é sensacional. Não tinha consciência de que a cidade era tao grande, mas, de acordo com o que o guri brasileiro me disse, tem uns quatro milhões de pessoas vivendo ali! Enorme, portanto - ainda mais comparando a Lund, que tem míseros 100 mil habitantes.

Depois disso estávamos tao cansadas que precisamos parar um pouco. Tínhamos caminhado o dia inteiro sem parar. Fomos a um shopping super moderno que fica do lado da estação central de trem de Varsóvia, e também do lado do Palácio da Cultura e da Ciência. Ali, tomamos um café com o Andrzej, polonês super querido, num tal Coffee Heaven, rede de cafés polonesa no estilo Starbucks absolutamente maravilhosa. O café de baunilha deles é demais. Daí comemos no Burguer King, uma das meninas que estava comigo fez mil compras, voltamos ao hostel, largamos as coisas e fomos num outro café encontrar de novo o Andrzej. Ele trabalha numa tv polonesa (TVP, se nao me engano) e nos contou um montão de coisas interessantes sobre seu trabalho e sobre a Polônia. Muito legal!

Mas tenho que conta sobre uma coisa que nos aconteceu quando estávamos indo embora do shopping... Quase tivemos que pagar uma multa por estar atravessando a rua fora da faixa de segurança! Já tínhamos sido prevenidas disso, tendo ouvido dizer que tanto motoristas quanto pedestres eram multados nas ruas da cidade, mas estávamos cansadas demais para procurar a faixa e, daí, decidimos atravessar fora dela... Bem na hora em que atravessávamos correndo, passaram TRÊS carros de polícia, sendo que um deles nos mandou voltar para conversar. Fingimos não falar inglês direito, imploramos desculpas e, quando perguntadas de onde éramos, respondemos "Brasil" e foi muito engraçado. Os policiais ficaram com uma cara de que nunca tinham visto alguém do Brasil antes. E daí um deles começou a falar "Rio de Janeiro", "futebol", aquelas palavras típicas que as pessoas que ouvem falar do Brasil dizem quando conhecem um brasileiro... Uma das palavras foi "samba", e daí eles pediram para a gente sambar!!! Mas é óbvio que não sambamos, né! Pedimos mil desculpas e os caras no liberaram. Então aí vai uma dica: quando em Varsóvia, jamais atravesse fora da faixa de segurança, em especial em áreas movimentadas da cidade!

Por fim, na quinta de manhã fomos no parque Lazienki, um dos parques mais conhecidos de Varsóvia que é absolutamente maravilhosooooooo! Além de ser gigante, tem palácios no meio do parque, e um montão de bichos, tais como pavões, patos, esquilos que vêm comer na tua mão, entre outros. Deem uma olhada em um dos palácios que ficam no meio do parque:



Fechamos com chave de ouro nossa estadia em Varsóvia. Tudo deu absolutamente muito certo e conhecemos basicamente tudo o que queríamos. No meu caso, só ficou um sentimento no estilo "que pena que talvez eu nunca mais venha aqui". Espero que eu possa voltar um dia!

Ok, estou cansada de escrever, e a segunda parte da viagem à Polônia tem muita mais coisas para contar! Amanhã continuo!

Beijos!

domingo, 15 de março de 2009

Compartilhamento de emoções!

Não posso deixar de compartilhar com meus leitores a emoção de ter visto novamente meu passaporte são e salvo, depois de ele ter sido mandado para a remota terra da Finlândia. Meu visto russo já está devidamente colado na segunda página do meu passaporte, logo depois do visto sueco. É tao bonitinho que eu tenho que compartilhar com vocês a emoção de saber que, dentro de um mês, estarei indo para a Rússia. Tem até meu nome escrito no alfabeto russo!

É incrível como a entrada na Rússia é absurdamente restrita. O visto vale exatamente para os dias em que estarei dentro do território do país, 16 a 21 de abril. Algunas intercambistas com quem falei que já foram para lá disseram que a fronteira é protegida por cercas de arame farpado e que os passaportes são checados a todo momento, mesmo quando se está em plena rua caminhando tranquilamente.

Outra coisa que me surpreendeu: falei com um intercambista russo e disse, totalmente emocionada, que estava indo para o país dele dentro de um mês. E ele para mim: "mas por quê???". Me impressionei. Ele disse que não entendia o porquê de eu estar querendo ir para um país como o dele, do qual ele só buscava se afastar. Umas meninas do Cazaquistão com quem tenho aula disseram o mesmo: "por que motivo queres ir à Rússia???". É estranho perceber que as pessoas de lá têm uma visão totalmente diferente da que temos sobre os russos. Bom, na verdade, eu não tenho uma visão formada, vamos ver o que vou concluir depois da minha viagem (que, na verdade, não vai me permitir ver nem a ponta do que o país é, já que vou ficar sete dias só entre as duas maiores cidades).

Nesta semana estou muito ocupada, tenho várias coisas de estudos para concluir, mas o bom é que, no dia 23, já vou estar livre de duas disciplinas. Dia 24, logo a seguir, vou à Polônia e, ao voltar, outras duas cadeiras já vao estar comecando!

Na Páscoa, vou à Noruega ver os fiordes e gastar uma fortuna num dos países mais caros da Europa! Mas tudo bem, acho que a viagem vai valer a pena, as paisagens de lá são absurdamente incríveis e vai saber quando eu estarei na Escandinávia novamente, né?

Até mais, amigos!

terça-feira, 10 de março de 2009

Aula sobre a guerra dos Balcãs

Hoje tive uma aula muito interessante na disciplina que faço que fala sobre as tendências contemporâneas de ser europeu... Uma professora da Croácia nos deu uma aula sobre herança cultural e sobre como é viver numa situação de guerra. Foi uma aula totalmente diferente daquelas que estou me acostumando a ter aqui, em que passo o tempo inteiro concentradíssima, anotando tudo o que consigo.

A professora meio que deu um relato pessoal (e também da pesquisa do PhD dela) sobre o que aconteceu na Croácia na época da fragmentação na antiga Iugoslávia. Achei tudo o que falou absolutamente fantástico. Ela nos contou sobre como as pessoas, em momentos de guerra, tentam fazer uma espécie de "imitação da realidade", procurando manter antigos hábitos e costumes, mesmo que, há poucos quilômetros de distância, hajam bombas destruindo a cidade. Segundo ela, este tipo de atitude é, de certa maneira, uma forma de amenizar a situação absurdamente ruim que é a de estar vivendo num país em guerra. Acho muito interessante poder ter acesso ao ponto de vista de cidadãos europeus sobre assuntos delicados como a questão da guerra, já que, no Brasil, apesar de termos passado por muitos maus bocados, não tivemos a experiência (pelo menos as gerações mais jovens não tiveram) de estar vivenciando um momento de guerra.

Achei muito interessante quando a professora falou sobre a cidade de Dubrovnik, que é patrimônio da UNESCO e que, mesmo com tal título, não foi poupada de ataques durante o período da desmantelação da Iugoslávia em 1991. Ela nos falou sobre as reações das pessoas do país em relação a tais ataques e, em especial, sobre as reações daqueles que moravam na cidade. Achei realmente interessante poder ver o ponto de vista dela, que é croata e que passou a aula inteira nos falando sobre seu próprio país. Foi uma das aulas mais interessantes que tive desde que cheguei aqui em Lund, uma aula mais pessoal e menos mecânica, mais no meu estilo.

Falando em patrimônio da UNESCO... A professora perguntou quantos de nós sabíamos de lugares de nossos países que eram parte de tal patrimônio (afinal, a aula era sobre herança cultural). Fiquei absurdamente envergonhada por nao saber o que é patrimônio no Brasil. Eu realmente não tinha ideia, mas agora descobri! Se quiserem dar uma olhada na lista de todos os países, aí vai: http://whc.unesco.org/en/list

Abraços e até mais!